Resenha : Um menino em um milhão, de Monica Wood


Livro: Um menino em um milhão
 Autor (a): Monica Wood
Editora: Arqueiro / Gênero: Romance 
Páginas: 352 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva

        Oi galera, tudo bem com vocês? Hoje a resenha que trago é desse livro que me emocionou demais e virou favorito: Um menino em um milhão, de Monica Wood, publicado pela editora Arqueiro era exatamente o tipo de leitura que eu estava precisando para o momento.


        Faz tempo que estava olhando essa capa linda e desejando colocar os olhos nessa belezinha e me perder nessa história. Eu já tinha lido algumas resenhas, então sabia que o que me aguardava não era uma narrativa mansa, mas algo cheio de emoções. E eu adoro leituras assim, mais introspectivas e reflexivas.


Prefiro não ter você do que tê-lo pela metade

        De cara a gente já sabe que o que vai unir os protagonistas deste livro é um garoto de 11 anos, escoteiro, que é obcecado pelo livro dos recordes, tem uma risada muito sonora e que acontece nos momentos mais estranhos, magricela e um tanto estranho. Esse garoto de nome não revelado vai causar uma avalanche de acontecimentos justamente porque repentinamente ele morre.

        O garoto que enquanto escoteiro foi designado para auxiliar uma velha senhora de 104 anos com seus afazeres diários algumas horas por dia, ao morrer faz com que seu pai, forçado pela ex-esposa termine o trabalho, já que não prestou o suficiente para ser um bom pai, quem sabe não possa pelo menos terminar a boa ação que seu filho estava fazendo enquanto vivo.

        Acontece que o pai, Quinn Potter, não imagina que vai acabar criando laços de extrema amizade com a velha senhora Ona Viktus, e que vai se embrenhar em uma situação inusitada atrás da outra.

       A história é contada por vários pontos de vista. E acontecimento após acontecimento somos levados a sentir os mais tenros sentimentos.


        Esse livro me trouxe um misto de alegria, esperança, tristeza, aprendizado. A amizade sincera que se estabelece primeiro com Ona e o garoto e depois com Ona e a família despedaçada e cheia de cicatrizes do garoto é linda. É doce, é suave. É um livro com uma história muito tocante.

        O garoto, como um bom adorador de recordes, tenta motivar Ona a quebrar alguns, já que tem uma idade tão avançada. E essa esperança do garoto traz nova vida aos dias já pacatos e sem graças de Ona. O garoto consegue rejuvenescer a centenária e lhe apresenta novas perspectivas para seus dias contados. Quando o garoto falece e o pai assume seu posto na vida de Ona, percebe que há muito do garoto na velha senhora e talvez seja esse o momento de Quinn conhecer mais do filho que sempre manteve um pouco distante de sua vida.


        Essas relações e revelações que vão acontecendo aos pouquinhos durante a narrativa me prenderam de uma forma maravilhosa. Eu fiquei tão maravilhada com essa leitura que tenho medo de dizer o quanto gostei! Hahah. Eu sou meio assim mesmo. Porque minhas impressões podem ser diferentes das de outra pessoa. Mas gosto muito de temas assim, histórias um pouco mais dramáticas e com sentimentos intensos pipocando de todas as páginas. Eu me apaixonei por Ona, uma velhinha super simpática e teimosa, que me fez lembrar minhas avós. Também me apaixonei pela doçura do garoto, de como ele cuidadosamente se importou realmente com a história de vida de Ona e despretensiosamente salvou seus dias já monótonos. Os pais do garoto também me tocaram muito com sua trajetória e essa amizade improvável me deixou extremamente satisfeita com a leitura.


     Terminei com um sorriso nos lábios, a autora me deixou bastante contente com seu grand finale, como o próprio garoto havia dito diversas vezes a Ona, que uma vida centenária precisa de um grand finale e nada melhor que o nome imortalizado no livro dos recordes para provar isso. Um livro que vai te convidar a prestar mais atenção a quem está em volta, que vai te provocar a ouvir mais as pessoas. Virou favorito, vai fazer morada aqui no meu coração.


Porque a história de sua vida nunca começa no começo.





Capas do livro pelo mundo:




Sinopse:
Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.

Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana.

Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.

Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal.

Resenha : Ninguém nasce herói, de Eric Novello

Livro: Ninguém nasce herói
 Autor (a): Eric Novello
Editora: Seguinte/ Gênero: Distopia / Ficção
Páginas: 384 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva


        Oi pessoal, tudo bem com vocês? Hoje a resenha é de livro de autor brasileiro! Eba! A gente ama! Hahah. Ninguém nasce herói, de Eric Novello publicado pelo selo da Seguinte, é aquele tipo de livro extremamente provocativo. Um livro que vai te tirar da zona de conforto e te fazer refletir sobre vários assuntos, mas principalmente sobre o assunto preconceito.



       O próprio autor relata no livro em uma carta que foi enviada aos parceiros da editora Companhia das Letras que a vontade de escrever esse livro surgiu no ápice da crise política que estamos vivendo no país. Essa descrença que assola nós brasileiros foi o estopim para que o autor pensasse e escrevesse essa história.


        No livro vamos acompanhar a vida de Chuvisco, que vive em um mundo a frente do nosso tempo. Parece meio distópico o livro, acreditava até que pudesse se enquadrar nesse gênero, mas a medida que fui evoluindo na leitura, tudo o que acontece com Chuvisco e seus amigos não está muito longe de acontecer em nossa realidade.

        Chuvisco vive dias de grande medo e coerção depois que um sujeito assumiu o poder do país, intitulado o Escolhido. Na verdade ele forçou sua candidatura e enganou todo mundo com um discurso bonzinho só para chegar ao poder e dilacerar com a minoria. Impondo um mandato baseado na coerção e no medo, criou leis absurdas onde se é propagado aos quatro ventos a permissão de discriminar negros, homossexuais, trans, pobres. Nunca se viu uma população tão dividida e falando abertamente que é preciso acabar com o que é diferente do que foi posto como o certo. Estas pessoas ditas como diferentes são caçadas e perseguidas por milícias intituladas “Guarda Branca”. Cada dia que passa o ódio e a perseguição a essas pessoas aumenta. E Chuvisco só vê um jeito de conter tudo isso: lutando.


Bastaria alguém e força de vontade. Bastaria dizer chega. O problema é que o 'basta' abre as portas para o desconhecido. E, hoje, o desconhecido causa medo. 
        
       Chuvisco tem um grupo de amigos que se propõe a levantar bandeiras para poder parar esse individuo que resolveu colocar o pais ainda mais de pernas para o ar. E parece que as pessoas estão tão bitoladas em seu discurso que acham tudo muito correto e não percebem que estão sendo transformados em monstros preconceituosos.

        O que me causou mais espanto nesse enredo é perceber que realmente não estamos longe de algo assim. A gente luta constantemente para que as classes mais frágeis da sociedade não sofram preconceitos, mas cada dia que passa parece que o negócio toma proporções inversas.


        Apesar dessa pegada mais de abrir os olhos para o que está acontecendo ao nosso redor que o livro trás, notei que o tema homossexualidade está mais evidente. O autor quis dar um enfoque especial a essa vertente, acredito que para mostrar que realmente o mundo precisa de mais entendimento sobre esse assunto, antes de julgar.

       Ao ler o livro percebemos claramente como é difícil ser um renegado da sociedade. E nos faz refletir: não somos todos? Quando estamos sendo extorquidos pelos nossos governantes, quando precisamos pagar por escolas e hospitais particulares sendo que com o imposto que pagamos deveríamos ter tudo isso muito bem construído e em benefício nosso? Somos assaltados todos os dias e viver em um pais à margem só faz crescer o ódio e os preconceitos.

- Você precisa reaprender a se divertir, Chuvisco - Letícia fala, notando minha cara de derrota. - Ser feliz também é uma forma de protesto.


       O livro foi muito bem escrito na minha opinião, apesar de ter ficado um pouco confusa no começo com as Catarses Criativas que o personagem principal tem, o Chuvisco. Ele tem um problema que o faz misturar realidade com ficção, mas depois que entendi como funcionavam essas Catarses ficou mais fácil de compreender a leitura. É um livro que vai te fazer refletir sobre os atos, sobre como somos enquanto brasileiros e se estamos fazendo algo para mudar nosso país de agora, para que não nos tornemos extremistas do amanhã. Uma leitura reflexiva e com algumas lições que vou levar com absoluta certeza. Recomendo a leitura!

A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quanto. 

Sinopse:
Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

Resenha : Carbono Alterado, de Richard Morgan


Livro: Carbono Alterado
 Autor (a): Richard Morgan
Editora: Bertrand Brasil / Gênero: Ficção
Páginas: 490 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva


Essa resenha foi feita pela colaboradora Ana Paula dos Santos


        Carbono Alterado é um tipo de livro que eu nunca havia lido antes e, por isso, não fazia ideia do que esperar dele, apesar de os comentários dos críticos na capa serem bastante positivos. A história futurista (passada no século XXV) pode, na minha opinião, ser descrita como “bem louca”. 

         Takeshi Kovacs vive em um tempo no qual as pessoas não parecem mais serem pessoas. Ele mesmo já morreu antes. É como se, no lugar do cérebro e da alma, as pessoas tivessem um HD que armazenasse todas as suas informações ao longo da vida e, contanto que não fosse destruído, pudesse ser colocado na capa (corpo) de outra pessoa, e então seria você no corpo de outro. Somada a toda essa tecnologia, descobrimos que as pessoas vivem em um universo “colonizado”. Kovacs é de um mundo chamado Mundo de Harlan, e nunca esteve na Terra. Ainda, com essa troca de capas, as pessoas (que podem arcar com os custos) chegam a viver mais de trezentos anos, e a capa utilizada para encapar alguém tem algumas influências sobre aquela pessoa a qual ela está a hospedar.

         No início do livro, Kovacs está com Sarah em um apartamento que é invadido, e os dois morrem. Não ficou muito claro para mim, mas acredito que os dois sejam parceiros e amantes.

Sarah já estava voltando a mira para os vultos além da parede quando o segundo comando noturno apareceu escorado na porta da cozinha e a metralhou com o fuzil de assalto. Ainda de joelhos, eu a vi morrer com claridade química".

 Ele é trazido de volta à vida na capa de outra pessoa na Terra para investigar a morte de um homem muito rico que tem inúmeros inimigos. Este homem, Laurens Bancroft, também voltou à vida: ele tem várias capas que podem ser utilizadas. Sua morte foi dada como suicídio pela polícia, mas ele diz que nunca se mataria, e quer saber quem é a pessoa que fez isso consigo. Por indicação, escolhe trazer Kovacs à Terra sob um contrato que o prende à investigação e força-o a dar a sua palavra e o seu melhor para resolver este mistério.

         Assim que é encapado, ele conhece a tenente Ortega, que o leva à mansão de Bancroft. Os caminhos dos dois se cruzarão diversas vezes, e o motivo disso vai muito além da investigação que ele quer reabrir, e a polícia não. Na mansão, ele conhece Míriam Bancroft, bela esposa de Laurens, e Kovacs logo se sente atraído por ela.


         Depois de conversar com o casal Bancroft em separado, Kovacs segue para o hotel, onde é atacado por pessoas que ele obviamente não conhece, e é salvo pelo sistema de segurança do hotel. Apesar de não conhecer ninguém na Terra, claramente alguém sabe quem ele é e quer algo dele. As cenas de ação ao longo do livro transmitem bastante intensidade ao leitor, e são, para mim, as melhores partes.


         Havia cinco homens e mulheres no centro cirúrgico, e eu matei todos eles enquanto me encaravam. Então fiz o neurocirurgião em pedaços com a arma de partículas e rasguei o raio sobre o resto do equipamento na sala. Alarmes gritaram de todas as paredes. Sob a tempestade dos uivos combinados, terminei o serviço, infligindo Morte Real em todos os presentes.”


         Em um momento da história, Sarah é usada para chantagear Kovacs. Ela é ameaçada de tortura e morte real caso ele não dê logo um fim às investigações. O que ele irá fazer? Conseguirá desvendar esta trama? Há, também, momentos de sexo ao longo do livro, e estes são bastante descritivos.


         Ela se inclinou sobre mim, os seios balançando, e eu estiquei o pescoço para sugar vorazmente aquelas esferas em movimento. Minhas mãos se ergueram para segurar-lhe as coxas no ponto em que se abriam cara cada lado do meu corpo".


         Embora seja uma história com grandes momentos de ação e perseguição, não a considerei fácil de ler. Arrasta-se em vários momentos, parece que não passa. Contudo, isso não é de todo ruim, pois é uma trama que nos faz refletir várias vezes sobre a condição humana e a tecnologia. Faz-nos pensar em onde vamos parar como sociedade, e acredito que este tipo de leitura não deva ser necessariamente rápida.

         Carbono alterado tem tudo para ser uma grande série de ação, e para mim, funcionará melhor como série do que como livro. Porém, tenho certeza de que os fãs do gênero irão amar o livro. A leitura valeu por me fazer sair de uma certa “zona de conforto literária”. Abrir os horizontes faz bem. Aproveitem a leitura.
Capas do livro pelo mundo:



Sinopse:
Um eletrizante thriller noir de ficção científica em adaptação para série do Netflix No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar. A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-militar de elite, após sua última morte, tem sua consciência transportada a Bay City, a antiga São Francisco, e é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata. Isso só para descobrir que seu contratante é a própria vítima, que voltou à vida em um novo corpo, mas sem as memórias do crime. Mal sabe Kovacs, porém, que essa investigação irá lançá-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

Resenha : Oníria, de Joana Santos Silva


Livro: Oníria
 Autor (a): Joana Santos Silva
Editora: Chiado / Gênero: Poesia
Páginas: 72 / Ano: 2017
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        Oi pessoal! Tudo bem? Hoje a resenha que trago aqui para vocês é de um livro que viajou bastante até chegar nas minhas mãos! A autora, a Joana Santos Silva me encontrou na internet, gostou do trabalho que faço com resenha de livros e fotos e me perguntou se eu gostaria de receber um exemplar de um livro seu para conhecer. Fiquei super contente com o contato da Joana e disse que queria receber sim. Então ela pediu meu endereço e disse que o livro iria demorar um pouquinho a chegar. Eu disse sem problemas, eu fico esperando aqui ansiosa hahah. Eu só não sabia que o livro viria direto de Portugal! Isso mesmo, a Joana mora lá. Ela é de Cascais, e eu fiquei ainda mais contente de saber que o livro viajaria pelos sete mares para depois ser degustado pelas minhas mãos.

 


        O livro Oníria foi lançado pela editora Chiado e é um livro de poesias. São várias poesias selecionadas por Joana, 2002 a 2016. Ela foi colocando o ano no rodapé de cada poema e eu achei esse detalhe bastante interessante. A gente percebe o sentimento com o qual ela escreveu em cada ano, como por exemplo: um poema mais saudoso, um poema que fala de amor, outro que fala de algum ente querido, ou que fale de sua terra. A maturidade que a autora vai tendo a cada ano em cada poema fica bastante claro pra mim.


        Como eu também já escrevi muito poema na vida, sei bem como é isso. Tem fase que um certa tema não sai da nossa cabeça. Passa um tempo e entra outro tema. Como ela fisgou um poema de cada ano, ficou um livro com temas bastante diversificados.

        Adorei a experiência de ter esse livro nas mãos. E de Joana o ter enviado lá de Portugal pra mim. Parece que eu tenho um pedacinho daquele país lindo aqui no meu quarto agora. Esse tipo de sentimento é impagável. Para quem gosta de poemas e quer uma coisa leve e bastante rimada, recomendo este livro, que está com uma capa linda – eu amo filtro dos sonhos, quando eu bati o olho nessa capa já sabia que ia gostar.


        Obrigada por ter me proporcionado esse encontro com sua poesia Joana, espero que venham muitos outros livros depois deste!


Cidade Natal da autora - Cascais, Portugal
(Joana, depois que vi fotos da cidade onde tu mora, fiquei morrendo de vontade de te fazer uma visita e te agradecer pessoalmente o envio do livro hahah, que lugar mais lindo! Amei)






Sinopse:
"Oníria" são pedaços de uma vida, aconchegada entre o passado e o presente, entre o sono e o sonho. Inquietações que nos apanham de olhos ainda cerrados, desligadas da realidade apenas na medida certa.

Esta é uma obra de sobressaltos que podiam ser os nossos, povoada por desassossegos que são de todos. Feita de momentos que, ao romper da aurora, nos fazem seguir em frente.

Resenha : Todos os pássaros no céu, de Charlie Jane Anders


Livro: Todos os pássaros no céu
 Autor (a): Charlie Jane Anders
Editora: Morro Branco / Gênero: Fantasia / Ficção
Páginas: 480 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva

        Olá lindezas, tudo legal por ai? Hoje a resenha que trago é do livro lançamento da editora Morro BrancoTodos os pássaros no céu” escrito por Charlie Jane Anders. Tudo nesse livro tá lindo demais. A editora é impecável nas suas publicações, então o livro está uma obra de arte. Quando eu tasquei os olhos nele fiquei abobalhada, de tanta beleza, juro mesmo. Dá uma passadinha na livraria mais próxima e dá uma folhada nele pra você ver. Aposto que vai babar também. Mas esse deslumbre vem acontecendo com toda nova edição da Editora Morro Branco, o que eu acho fantástico, porque é uma editora que investe muito na qualidade da apresentação final do livro. Porque eu procuro muito um conteúdo bom, mas quando o livro também é lindo por fora, há amigos, aí fica perfeito!


        Esse livro, Todos os pássaros do céu, gente é a maior viagem na maionese. Uma doidera só. Mas é uma doidera tão diferente que te deixa curiosa. E parece que a autora foi sendo doida de propósito e você se contamina com essa doidera toda hahah.

        Para quem gosta, o livro segue mais a linha da ficção, fantasia. Traz muito elementos tecnológicos e geeks também. Alguns assuntos sobre tecnologia e computadores são meio fora da minha realidade então em alguns trechos fiquei meio boiando, mas por minha falta total de conhecimento do assunto hahaha. Qualquer pessoa que tenha nascido depois de mim com certeza vai saber mais do que eu sobre esses assuntos tecnológicos, e para quem ama computadores, esse livro é um prato cheio.


        Mas acredito que todo esse universo geek tenha ficado mais como um pano de fundo para um lance mais profundo: o amor. Há o amor! Esse sentimento que é tão contraditório! Sim, porque o livro todo vamos acompanhar a saga de auto conhecimento e conhecimento mútuo entre Patrícia e Laurence.

        Os dois são altamente improváveis juntos. Patrícia é uma espécie de bruxa, que fala com animais, árvores, e afins. Ela descobriu recentemente que tem esse dom, de interferir em assuntos da natureza. Já Laurence é o rei nas paradas tecnológicas. Ele tá sempre envolvido em uma descoberta nova e é muito inteligente. Ambos são as aberrações na escola, então talvez seja por isso que acabaram sendo amigos, por apenas essa coincidência, porque em relação ao resto, nenhum dos dois é compatível.


- Sim. - Laurence gargalhou: uma gargalhada bêbada, enjoada, mas ainda uma gargalhada. - Sabe... não importa o que faça, as pessoas sempre vão esperar que você seja alguém que não é. Mas se for esperta, sortuda e se ralar de trabalhar, vai se cercar de pessoas que esperam que você seja a pessoa que gostaria de ser. 

        A medida que a história avança porém vamos percebendo que há um tipo de guerra velada acontecendo na terra e que forças da natureza e forças tecnológicas estão sendo postas a prova e entrando em conflito no que tudo indica que resultará em um grande caos.

        Quando um professor de Patrícia lhe diz que ela está incumbida de matar Laurence porque do contrário ele irá evoluir tanto na questão tecnológica que vai acabar com o mundo, soa um alarme dentro do peito de Patrícia. Ela não acredita nisso. Esse episódio é o catalisador para a separação dos dois, que desonestamente são postos um contra o outro em uma batalha muito maior que eles.


        E durante todo o livro vamos acompanhando esses encontros e desencontros dos dois em meio a um mundo que ficou caótico demais para ser considerado humano.

        A trajetória dos dois não foi fácil. E o livro de uma forma velada fala muito de segundas chances e novos olhares. A gente sempre acha que poderia ter feito algo diferente para mudar as coisas, mas nem sempre é possível. E uma amizade verdadeira pode sobreviver ao mais terrível apocalipse.


- Então, quando você parou de sonhar com foguetes? - perguntou Patrícia.- Acho que fiquei entediada com isso - disse Isobel. - O tédio é o que cicatriza a mente. 


        O livro é uma verdadeira enxurrada de acontecimentos que se convergem e se entrelaçam. O final me deixou bastante satisfeita, achei que a autora fechou bem os acontecimentos. Não espere um livro muito linear. Ele é bem ousado, foi uma narrativa muito diferente de tudo o que eu já li. Então se prepare para quebrar um pouco a cabeça com as informações contidas nele. Achei bem interessante a vertente que a autora usou para descrever os dois personagens, achei os dois bem escritos com suas características bastante definidas. Gostei também de outro personagem, que na verdade é um grande programa pensante criado por Laurence chamado M3MUD@ que tem papel fundamental na trama. E gostei de poder me envolver com mais uma história de fantasia, gênero que gosto muito. É um livro diferente, você precisa ler de mente aberta e leve. Um livro que me fez conectar com os personagens e pensar em uma vida alternativa que seria bem interessante. Recomendo a leitura.


- Uma árvore é vermelha? - repediu o corvo.Os outros pássaros fizeram a pergunta até as vozes se unirem em uma balburdia terrível. 


O livro traz elementos geeks:





Sinopse:
Vencedor do Nebula Award
Vencedor do Locus Award
Finalista do Hugo Awards

Uma grandiosa história de amor, fantasia e ficção científica

Desde pequenos, Patrícia e Laurence tinham formas diferentes – e às vezes opostas – de enxergar o mundo. Patrícia podia falar com animais e se transformar em pássaros. Laurence construía supercomputadores e máquinas do tempo de dois segundos. Enquanto tentavam sobreviver ao pesadelo interminável da escola, seu isolamento se transformou em uma amizade cautelosa. Até que circunstâncias misteriosas os separam para sempre. Ou assim eles pensavam.

Dez anos depois, ambos se reencontram em São Francisco. O mundo está prestes a implodir. Patrícia é formada em uma secreta escola de magia, e Laurence é um cientista tentando salvar a humanidade. A medida que os dois se reconectam, se veem levados a lados opostos em uma guerra entre ciência e magia. E o destino do mundo depende dos dois. Provavelmente.

Uma profunda, mágica e divertida análise sobre a vida, o amor e o apocalipse.

Resenha : Como agarrar uma herdeira, de Julia Quinn


Livro: Como agarrar uma herdeira
 Autor (a): Julia Quinn
Editora: Arqueiro / Gênero: Romance de Época
Páginas: 304 / Ano: 2017
Livro 1 - Os agentes da Coroa
Skoob / Amazon / Saraiva

        Oi amores e amoras! Tudo bem com vocês? Vamos de resenha de livro lançamento? Da nossa diva Julia Quinn, o escolhido da vez foi “Como agarrar uma herdeira”, livro que inaugura a série Os Agentes da Coroa (a série é super curta, só tem mais um livro na seqüência deste, então são dois ao todo). A edição da editora Arqueiro está linda, maravilhosa, adorei essa capa. Logo que vi já me apaixonei.

        Bom, eu já conheço os livros da Julia Quinn, li a série toda dos irmãos Bridgerton e simplesmente amei, então sei que ela escreve romances de época bastante inteligentes e perspicazes, com heroínas improváveis e com personalidades fortes.


        Neste livro não será diferente. Nele vamos conhecer nossa protagonista: a herdeira de uma bela fortuna chamada Caroline Trent. Caroline viveu sobre o abrigo de vários tutores que só a fizeram sofrer durante sua infância e adolescência, já que seus pais morreram quando ainda ela era bastante jovem. E o que mais interessou a estes tutores é poder usar a maravilhosa poupança deixada em seu nome quando a mesma completasse 21 anos. E parece que o seu mais novo tutor quer estar de posse de sua fortuna de uma forma não muito amigável, forçando Caroline a se casar com seu filho só para conseguir que essa grana toda fique na família e pegue suas dívidas.

        Mas Caroline não é uma mocinha que vai ficar esperando emburrada por seu destino. Ela consegue fugir de Percy, o filho de Oliver (o tutor) e pretende ficar fora por uns dias escondida até que complete 21 anos, que será daqui 3 semanas. Depois desse período ninguém mais pode colocar as mãos em sua herança, pois será decididamente dela a fortuna.

O que Caroline não esperava era que seria confundida com uma espiã espanhola, a senhorita Carlotta De Leon. Caroline só foi confundida porque foi abordada por Blake, um agente da coroa que a viu sair sorrateiramente da casa de Oliver (o tutor e investigado). Caroline não sabia que seu tutor estava sendo investigado por trabalhos ilícitos de contrabando e já que fora confundida com uma espiã decidiu deixar assim mesmo. Isso a faria ficar longe de sua residência por um tempo, o suficiente para completar seus 21 anos e a manteria segura. O que Caroline não esperava era que iria se embrenhar em uma tremenda enrascada. Fora deixada presa em um quarto na casa de Blake, fora interrogada e amarrada ao pé da cama, deixada sem comida e sem água, tudo para que pudesse ser útil no processo de passar informações para que os agentes envolvidos pudesse prender Oliver e por conseguinte Carlotta. Talvez se fazer passar por uma terrível espiã não tenha sido a melhor das escolhas. Mas como Caroline vai contar a verdade e sair ilesa dessa mentira?

       Ao mesmo tempo Blake se vê em uma situação comprometedora. Deveria estar interrogando e torturando “Carlotta”, a espiã, não se apaixonando por ela. Blake não sabe que a espiã se chama Caroline e que é uma adorável moça desprotegida que já sofreu muito em sua pequena existência. Juntos vão viver uma louca história de amor, com um desfecho de tirar o fôlego.


Ela não apenas tinha virado a vida dele de cabeça para baixo, como a jogara de um lado para outro, virara do avesso e, em determinados momentos que era melhor não mencionar, a incendiara.
 

        Eu gostei demais desse livro, achei um dos mais engraçados da autora. Fazendo uma pesquisa soube que foi um dos primeiros livros que ela já escreveu, então eu pude perceber que a série dos Bridgertons, por exemplo, está mais madura do que está. Esse livro está bastante fofinho, bem água com açúcar, um tipo de romance que te faz curtir mesmo, sem pretensão de te deixar tensa, com um desenrolar bastante engraçado. Há bastante diálogos, praticamente o livro todo é entre conversas articuladas de Caroline para Blake e para outro personagem bastante carismático, James, o marquês (o próximo livro vai contar a história dele, e eu adorei porque ele é um personagem bastante cativante na trama).


        Para quem gosta de romances de época e já conhece a Julia Quinn esse livro é uma leitura obrigatória. Fiquei bastante contente com o desfecho e com todo o romance proposto. Me senti uma espiã e me apaixonei pela Caroline, uma personagem forte e muito destemida.


Os lábios dele encontraram os dela e ele a devorou com todo o medo e desejo que sentir a noite toda. Caroline tinha o sabor dos sonhos de Blake, e a sensação do seu corpo contra o dele era como estar no paraíso. 

Capas do livro pelo mundo:



O livro foi ambientado em:
Inglaterra, no ano de 1814





Sinopse:
Quando Caroline Trent é sequestrada por engano por Blake Ravenscroft, não faz o menor esforço para se libertar das garras do agente perigosamente sedutor. Afinal, está mesmo querendo escapar do casamento forçado com um homem que só se interessa pela fortuna que ela herdou.
Blake a confundiu com a famosa espiã espanhola Carlotta De Leon, e Caroline não vai se preocupar em esclarecer nada até completar 21 anos, dali a seis semanas, quando passará a controlar a própria herança milionária. Enquanto isso, é muito mais conveniente ficar escondida ao lado desse sequestrador misterioso.
A missão de Blake era levar “Carlotta” à justiça, e não se apaixonar por ela. Depois de anos de intriga e espionagem a serviço da Coroa, o coração dele ficou frio e insensível, mas essa prisioneira se prova uma verdadeira tentação, que o desarma completamente.