Resenha : Por lugares incríveis, de Jennifer Niven


Livro: Por lugares incríveis
 Autor (a): Jennifer Niven
Editora: Seguinte / Gênero: YA / Jovem Adulto
Páginas: 336 / Ano: 2015
Skoob


        Olá gente maravilhosa! Tudo bem aí com vocês? Hoje a resenha que trago é do livro Por lugares incríveis da Jennifer Niven, publicado pela editora Seguinte. Desde que esse livro lançou estava louca de expectativa para ler. Essa capa chama muito a atenção, acho simplesmente maravilhosa e fiquei com aquele comichão de querer e querer e querer sabe? Mas ele estava meio caro no lançamento, e também eu estava com tantos livros ainda não lidos que dei uma segurada. Daí um belo dia ele entrou em promoção e paguei nele acho que R$10,00 no submarino. Mas mesmo depois que comprei ainda esperei para ler e fui vendo uma pessoa atrás da outra falando bem, falando que era o melhor livro que já tinham lido na vida e foi favoritado por muitos leitores.


        Acontece que... quando você vai cheio de expectativas altas assim corre um grande risco de ser verdade ou um grande risco de se decepcionar. E aqui... bem, não vou dizer pra vocês que me decepcionei. Eu gostei muito da leitura. Mas quando terminei, fiquei com uma sensação tão, tão oca por dentro! Eu realmente fiquei destruída com esse livro, numa bad terrível minha gente. Eu não chorei, nem nada do tipo (muita gente que leu fala que chorou horrores em alguns trechos...), eu li com bastante cuidado para não me deixar envolver demais, porque eu já não estava em uma semana muito boa. Mas acontece que esse livro traz vários temas pesados juntos: suicídio, perda de ente querido, pais que são ausentes e que cometem agressão física, bipolaridade, e... bom, acho que já tá bom de tema pesado em um mesmo livro né? hahah. Dentre todos esses temas, acredito que o maior tabu ainda esteja em torno do suicídio e bipolaridade, temas pouco explorados em livros. Mas agora dá pra entender um pouquinho porque esse livro me deixou tão pra baixo né? São temas extremamente pesados, que a sociedade tenta não comentar, tenta abafar, e que, por conseguinte, faz com que estejamos pouco acostumados a eles. 


        O livro gira em torno de dois personagens principais: Violet Markey e Theodore Finch. Violet perdeu a irmã mais velha em um acidente de carro, e parece que todo mundo está levando a vida normalmente depois disso, mas esse acontecimento a modificou completamente. Seus pais evitam o assunto, mas Violet parece que parou no tempo, parece que nada mais faz sentido sem sua irmã por perto. Já faz quase um ano que ela se foi, e Violet ainda não conseguiu entrar em um carro depois disso, vive com medo, vive pela metade. Theodore é aquele tipo de garoto "encrenca". É chamado pelo pessoal do colégio de aberração. Totalmente instável e imprevisível, tem uma família que pouco presta atenção em seus dramas. Os pais são separados e seu pai é extremamente agressivo, sendo que, para Theodore, as visitas à casa de seu pai são um martírio. Theodore conhece Violet do colégio, mas nunca foi próximo dela. Mas depois que a encontra em cima da torre do sino do colégio olhando para abaixo e pensando talvez na mesma coisa que ele - tirar a própria vida - resolve conversar com ela, nesse instante de loucura. Nasce uma conexão entre os dois, e aparentemente se salvam do destino que haviam planejado para ambos. Se tornam mais próximos ainda quando passam a fazer dupla para um projeto de visita a alguns locais de seu estado afim de explorar as cidades próximas antes que se mudem e comecem a faculdade, e parece que juntos encontram meio de curar feridas e seguir em frente. 


Todo mundo já ouviu falar dele. Algumas pessoas o odeiam porque ele é esquisito e se mete em brigas e toma suspensão e faz o que quer. Algumas pessoas o idolatram porque ele é esquisito e se mete em brigas e toma suspensão e faz o que quer



De início Violet fica meio assim... Theodore não tem uma fama muito boa no colégio, e ele é totalmente estranho. Mas fala coisas lindas e está sempre por perto, do seu jeito torto, mas está. Só que Theodore tem seus fantasmas, e é pouco compreendido. Uma história de amor é elemento suficientemente capaz de modificar certas coisas? Até onde nossas loucuras são insignificantes e até onde nossas loucuras devem ser curadas com orientação médica? E é dessa forma bem simples e singela que o livro vai te destruir em pedacinhos com temas tão profundos. 

O principal assunto - suicídio - é de fato um tema muito bem abordado pela escritora. Mostra como funciona a mente de um potencial suicida, o que pensa, porque toma esse tipo de decisão. E como o suicídio é tratado de uma forma mesquinha para quem fica, como é incompreendido pela sociedade. E realmente é gente, pra mim esse tema é super dolorido. Eu nunca pensei em me matar, porque eu amo a vida, eu amo fazer tudo o que eu faço. Fico até com medo de quando vai chegar o meu fim, porque eu gosto tanto, tanto de viver. E a gente que vive assim, intensamente e tem propósitos e sonhos, não consegue entender quem quer interromper de livre e espontânea vontade a vida. E todos que ficam se culpam, pois você fica imaginando: onde é que eu falhei com essa pessoa? como é que não consegui notar a tempo o que ela estava planejando? porque ela decidiu por esse caminho se haviam tantos outros? E o que eu posso pensar é que a dor de viver é tamanha que a pessoa não consegue ver outra saída. Deve ser uma dor muito, muito grande e aniquiladora. Ou também neurológica, motivada por alguns distúrbio de personalidade e que necessita ser tratada de forma medicamentosa.  


Se você acha que algo está errado, fale. Você não está sozinho. Não é sua culpa. Existe ajuda para você. 

        Esse é aquele tipo de livro que deixa uma mensagem: precisamos estar atentos, tanto aos nossos sentimentos como aos sentimentos dos outros. É preciso olhar em volta, é preciso sentir o que o outro está precisando. É olhar com mais e mais cuidado, não apenas pensar: há ele (a) é assim mesmo, de vez em quando faz essas coisas. Não gente, não é assim, não tem que ser assim. Ás vezes a pessoa tá lá, dizendo com os olhos que precisa de ajudar e estamos apressados demais em nossos afazeres para tomar o devido cuidado. Um livro com assuntos polêmicos, que muitas vezes queremos evitar, que vai deixar cicatrizes, que vai te deixar com sentimentos de raiva, dor, amor, carinho... tudo misturado. Um livro para impactar. E se esse era o propósito, sim, me impactou. 


A esperança está em aceitar sua vida como ela se apresenta agora, mudada para sempre. Se puder fazer isso, a paz virá em seguida. 



Sinopse:
Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.

Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.
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